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quinta-feira, 27 de novembro de 2014

FUTEBOL PARAENSE: DAS GLÓRIAS À INFÂMIA

De caçadores à presas fáceis, esse é o parâmetro da constante do futebol paraense, na última década. Todo o respeito construído no passado vem sendo destruído a cada ano como consequência de campanhas medíocres em competições nacionais. Os torcedores paraenses ainda procuram entender o verdadeiro motivo dessa tremenda decadência.


A virada do século XXI apresentava-se com os três principais times do estado, Paysandu, Clube do Remo e Tuna Luso, na segunda divisão nacional, juntamente com outros clubes conhecidos do país, como Ceará, Paraná, Avaí e Figueirense. Em 2001, o Paysandu conquistou o seu segundo título da Série B fazendo uma campanha impecável, botando novamente o futebol paraense na elite do futebol brasileiro. No ano seguinte, o Papão da Curuzú levantou a taça de campeão da Copa dos Campeões, passando por grandes clubes, como Palmeiras e Cruzeiro, se credenciando para disputar a Libertadores da América de 2003, principal competição do continente. Seria a primeira vez em que um clube do norte disputaria uma competição continental. Com altos investimentos, a Libertadores foi totalmente rentável para os cofres do clube, porém um escândalo envolvendo a SUDAM e o presidente do clube na época, Artur Tourinho, botou em cheque a autenticidade dos triunfos.

Iarley, autor do gol memorável, na partida
diante do Boca Júniors, em 2003
Na Libertadores, as expectativas estavam em cima de Robson “Robgol”, Vélber, Sandro Goiano, Iarley, dentre outros. O clube terminou a primeira fase na liderança do grupo e manteve sua invencibilidade, obtendo a vantagem de decidir em casa a vaga para as quartas de finais, jogando em casa a segunda partida. Na primeira partida das oitavas, o time paraense visitou o temido Boca Júniors, que jogando dentro de casa mantinha um amplo favoritismo, levando em consideração a dificuldade apresentada para os adversários no estádio La Bombonera. Até então, apenas dois clubes brasileiros haviam vencido ali, Santos e Cruzeiro. Iarley marcou o único gol daquela brilhante noite dos paraenses, dando uma vantagem ainda maior para o Papão, que precisaria apenas de um empate no jogo de volta para avançar de fase. Foi o ápice do futebol paraense, chegando o mais longe possível, um feito bastante reconhecido no mundo futebolístico. Infelizmente, na partida de volta, o bicolor estadual acabou perdendo por 4-2, vivendo uma noite de eliminação frustrada diante de um Mangueirão lotado, em pleno período de greve rodoviária. Encerrava-se ali a melhor temporada do Paysandu e do futebol paraense.

Na Série A, o clube fazia campanhas regulares, mas após a saída de Tourinho da presidência, as dívidas dificultaram as negociações e não mantiveram a mesma qualidade de investimento. Prova disso, o rebaixamento em 2005 para a Série B e em 2006 para a Série C, aonde ainda se encontra, mesmo após breve retorno à Série B em 2013. Nesse mesmo período de descenso, em 2005, o Clube do Remo conseguira voltar à segunda divisão, carregando nas costas o seu primeiro título nacional, a Série C no ano de seu centenário, tendo a melhor média de público entre as três divisões do Brasil.

Clube do Remo, campeão da Série C de 2005
O futebol paraense se manteve na Série B, com o Clube do Remo, por mais dois anos e posteriormente sucumbiu para a Série C, a última divisão. Em 2008, a CBF anunciou a criação da quarta divisão, que teria sua primeira edição realizada em 2009. Três times paraenses disputaram a terceira divisão daquele ano, Paysandu, Remo e Águia, time do interior, que chegou ao vice-campeonato estadual, garantindo sua vaga no brasileiro. Curiosamente, apenas o time de Marabá disputou a última fase da competição, ficando à um gol do acesso. Enquanto isso, o Clube do Remo caia para a Série D e o Paysandu ficara na Série C.

Com sucessivos fracassos, os paraenses começaram a perder sua identidade e mergulharam em crises financeiras, dirigentes mal intencionados, sugando os poucos lucros obtidos. A última conquista nacional do Pará veio através do São Raimundo de Santarém, em 2009, justamente na primeira edição da Série D. O time santareno oscilou rapidamente, e no ano seguinte retornou à última divisão, onde nem lá se encontra mais. O Paysandu ainda retornou para a Série B, em 2013, como dito antes, mas foi rebaixado precocemente, frustrando novamente o torcedor bicolor e a imprensa que imaginavam o forte retorno do futebol paraense no cenário nacional.

Independente Tucuruí, primeiro clube do interior
que conquistou o Campeonato Paraense, o feito foi em 2011
Dois times do interior conquistaram pela primeira vez o campeonato paraense em dois anos consecutivos. Independente em 2011 e Cametá em 2012. A estática dos dirigentes causou o declínio das safras de contratações, igualando os clubes da capital com os do interior.  De fato, a cada ano, um time do interior sempre se destaca e bate de frente com os maiores já não tão maiores assim. O estadual se tornou mais equilibrado? Existem controvérsias, críticas e opiniões diferentes sobre a questão. Muitos apoiam a crescente dos emergentes, enquanto outros defendem a hegemonia da dupla Re-Pa, mesmo encontrando-se adormecidos no cenário brasileiro. Por que não investir na base? A falta de um centro de treinamento é fundamental para a solução desse problema. Não existe um acompanhamento adequado com os jovens prodígios. Ou são exportados ainda jovens ou não ganham chances no time profissional, depois somos notificados de que aquele jogador despontou. O caso mais recente é de Paulo Henrique Ganso, atual meio-campo do São Paulo.

Paraense Paulo Henrique Ganso, cotado para
vestir a camisa da Seleção Brasileira na Copa de 2018

Por que não apostar nos jogadores oriundos do estado? Das poucas conquistas, os clubes eram compostos por peças paraenses, sem a necessidade de importar atletas de outros estados. O futebol do Pará precisa passar por uma reformulação em sua gerência, começando pela sua federação responsável. Nos planos também estariam o afastamento dos gananciosos de poder nos clubes, para enfim retornar às primeiras divisões nacionais. Deve haver uma cabeça pensante dentro das instituições, onde contratação é ação de vida ou morte, contratar apenas jogadores de valor e não para compor elenco. Tragicamente, os clubes não detém um bom status no mercado de transferências.

Quem sofre é o torcedor, amargando campanhas vergonhosas e vendo o clube nas últimas divisões. Acostumados com momentos de glórias, a esperança nunca morre. Apesar de tudo isso, ele não abandona o seu clube, lota os estádios e é quem realmente ainda sustenta o futebol paraense. No primeiro semestre, o clássico Re-Pa obtém uma média de público maior de que diversos clássicos. O torcedor paraense é apaixonado por futebol e está cansado de sofrer. Até quando isso continuará acontecendo? A expectativa é de que um dia tudo volte ao normal. Em meio à tudo isso, o Paysandu ascendeu à Série B, após acesso através do vice-campeonato da Série C de 2014, o Águia se mantém na Série C, mas fora da primeira divisão do futebol paraense. Clube do Remo brigará mais um vez por uma vaga na Série D, e a Tuna Luso, detentora de dois títulos brasileiros (segunda e terceira divisão), situa-se na segunda divisão do futebol paraense.



Escrito por: Victor Barra
Twitter: @VictorBarra96
Email para contatos: victinhobarra@hotmail.com

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Fortaleza: 5 anos de grandeza não-confirmada na Série C.

Quando se pensa nas equipes que participam da Série C qual é o primeiro clube que vêm a sua mente, se eu não estiver enganado geralmente será o Fortaleza, o clube que já foi duas vezes vice-campeão brasileiro em 1960 e 1968 vive atualmente uma fase difícil, mesmo com o apoio de sua fanática torcida e elenco recheado de medalhões e bons jogadores para a Série C (vale ressaltar), há cinco anos que o time não consegue subir de divisão sendo que em 2012 e esse ano foi eliminado no mata-mata por Oeste e Macaé e em 2011 foi salvo de um rebaixamento para a Série D com um gol de Marcos Goiano aos 43 minutos do 2º tempo contra o CRB. O que aconteceu para esse sonhado acesso virasse tormento na vida dos tricolores?


Vamos analisar cada um dos anos que o Fortaleza passou na Série C mostrando os pontos positivos e negativos de cada campanha:


2010: Time invicto eliminado na primeira fase.

É incrível porém é real que o Fortaleza saiu invicto da competição e eliminado da primeira fase, o clube enfrentou o Paysandu, Águia de Marabá, Rio Branco e São Raimundo/PA. De oito jogos o Fortaleza venceu somente o São Raimundo/PA na ida e volta e empatou seis vezes ficando em 3º lugar com o mesmo número de ponto do Águia (12 pontos). Na última partida o Fortaleza deveria venceu o Águia fora de casa e começou na frente com Tatu aos 25 minutos do 2º tempo, mas Torrô empatou e acabou com as chances de classificação.

Nesse ano o elenco era composto de muitas promessas da base e alguns veteranos como o goleiro Fabiano (hoje no Remo), o zagueiro André Turatto, o meia Paulo Isidoro ex-Palmeiras e o atacante Finazzi ex-Corinthians (hoje na Itapirense/SP).


2011: Quase rebaixamento inesperado.

O segundo ano de Série C foi o pior de todos com emoção até o último minuto, o Fortaleza enfrentou o América/RN, CRB, Guarany de Sobral e Campinense. Dos oito jogos venceu duas partidas contra Guarany e CRB ambos em casa, empatou três e perdeu três jogos conquistando somente 9 pontos quase sendo rebaixado para terrível Série D, o Campinense pegou sua vaga mesmo ganhando por 1 a 0. O Fortaleza venceu o CRB por 4 a 0 dois gols de Vavá, um de Gustavo Papa e um Marcos Goiano.

Nesse ano o elenco era composto de muitos jogadores que atuaram no arquirrival Ceará caso do goleiro Lopes, zagueiro Dezinho, volante Esley e os atacantes Vavá e Wellington Amorim, além do "Rei de Recife" Carlinhos Bala que atualmente está no Porto de Ipojuca time amador de Pernambuco.



2012: O acesso fica no quase.

O terceiro ano já foi bem melhor pelo menos no que se diga até a penúltima partida do campeonato. A Série C mudou o formato agora temos dois grupos com dez times, o Fortaleza passeou pela primeira fase fazendo inacreditáveis 39 pontos em 18 partidas (11 vitórias, 6 empates e 1 derrota). A primeira vez que o Fortaleza passou de fase iria enfrentar o desconhecido Oeste de Mazinho (hoje no Palmeiras) e Serginho, todos apostavam em triunfo tricolor que aumentou ainda mais depois do empate no 1º jogo em Itápolis/SP, porém o imponderável aconteceu o Oeste venceu por 3 a 1 no Presidente Vargas lotado adiando mais uma vez o acesso tricolor. Oeste foi campeão da Série C nesse ano.

O elenco desse ano era mais enxuto do que os anos anteriores sem grandes caras do futebol brasileiro, mas podemos ressaltar o meia Geraldo (que subiu o Confiança/SE para Série C esse ano) e os atacantes Rômulo ex-Cruzeiro e Jaílson ex-Corinthians.



2013: A vaga no mata-mata ficou por um triz.

Este ano foi o muito complicado de traçar um prognóstico, o Treze veio para atrapalhar a vida de todos no campeonato, se não bastasse a tabela ficou muito embolada o 1º colocado Santa Cruz teve 34 pontos e o 9º colocado o Brasiliense teve 30 pontos, no meio de tudo isso o Fortaleza ficou em 5º colocado com 32 pontos sendo que era líder até os acréscimos da última partida da fase e o gol de Paulo Sérgio do Sampaio Corrêa estragou a festa tricolor no Castelão.

O elenco foi composto de vários atletas que vestiram e ainda são reconhecidos pelo seu trabalho no clube casos do goleiro João Carlos e o zagueiro Ciro Sena (hoje ambos no Boa Esporte), o zagueiro Ronaldo Angelim "O Magro de Aço" e o artilheiro desse ano Robert ex-Palmeiras.



2014: Novamente o fantasma do mata-mata atacou.

Em 2014 a torcida leonina reacendeu suas esperanças com a boa campanha na primeira fase conquistando 35 pontos (9 vitórias, 8 empates e 1 derrota), a vaga para o mata-mata estava conquistada com antecedência fizeram uma preparação digna de acesso, porém a impaciência foi inimiga do acesso do Fortaleza. Mais uma vez o Leão do Pici enfrentou um clube sem tradição, o Macaé que parecia sem forças na primeira partida com placar de 0 a 0, mas mostrou paciência e bons valores como o goleiro Milton Raphael da base do Botafogo e calou a vontade de gritar o tão sonhado acesso do Fortaleza, o placar foi 1 a 1 gols de Juba e Waldison. Cinco anos de superioridade institucional, estrutural e de elenco não foram capazes de vencer a barreira da Série C.

Esse ano o elenco foi o melhor de todos, atletas gabaritados que não conseguiram dar o acesso como o meia Marcelinho Paraíba ex-Flamengo e São Paulo, o volante Corrêa ex-Palmeiras e Flamengo e o lateral Fernandinho ex-Cruzeiro e Atlético Mineiro.



Agora só resta juntar os cacos da antiga diretoria já que Osmar Baquit saiu da presidência da equipe e formar um novo corpo de membros da diretoria para depois pensar na organização total do clube.