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quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

O "Leão" cearense - Histórico

1962 - Embarque do time para uma excursão a Paramaribo

Fortaleza Esporte Clube é uma agremiação esportiva sediada na cidade de Fortaleza, no Nordeste do Brasil, e fundada em 18 de outubro de 1918, por Alcides Santos, um dos maiores esportistas cearenses, que se apaixonou pelo futebol durante o período em que estudou no College Stella na França.

No futebol, principal esporte em que milita, foi por duas vezes vice-campeão brasileiro, nos anos de 1960 e 1968, campeão do Norte-Nordeste em 1970, primeiro campeão regional do Nordeste quando conquistou a Copa Cidade de Natal de 1946, além de ser o maior vencedor de edições do Campeonato Cearense, com 39 títulos.

O clube possui o Estádio Alcides Santos, também chamado de Parque dos Campeonatos, e o Centro de Treinamento Ribamar Bezerra. Além do Futebol, tem tradição em vários esportes olímpicos, sendo destaques os títulos de campeão brasileiro adulto de handebol feminino em 2001, e em 2004 no masculino; campeão nordestino de basquetebol em 2001 e em 2003; campeão do Norte/Nordeste de futsal em 2003 e da Liga Nordeste de Futsal de 2009; e campeão da Liga Nordeste de Handebol masculino, em 2010.

Dono da maior torcida do estado (dentre todos os clubes brasileiros), segundo o Instituto Ibope e o Jornal Lance,[3][4] ,a quarta na Região Nordeste [5] e a décima sexta Brasil. Em 2008, o Instituto Datafolha[6] já havia apresentado números referentes com relação na capital cearense. O clube tricolor também tem números expressivos de seus torcedores no Amazonas, no Distrito Federal, no Pará, no Piauí, no Rio Grande do Norte e em Roraima onde o clube possui embaixadas.

Em 1912, o futebol volta a ser praticado em larga escala na Fortaleza da Belle Époque[7], onde tinha a França como ponto de partida para seu processo de civilização e maior inspiradora dos valores e padrões que se difundiram na cidade, onde os filhos da aristocracia realizavam seus estudos.

Em sua volta da França em 1912, o jovem Alcides Santos funda um clube chamado Fortaleza, mas logo seria extinto, em 1918 no dia 18 de outubro, funda o Fortaleza Sporting Club (primeira denominação do clube) na rua Barão do Rio Branco. Participaram da primeira reunião : Alcides Santos (primeiro presidente), Oscar Loureiro, João Gentil, Pedro Riquet, Walter Olsen, Walter Barroso, Clóvis Moura, Jayme Albuquerque e Clóvis Gaspar, entre outros tendo as cores do clube : o azul, branco e vermelho originado da bandeira da França.

Em seu primeiro ano de vida, o Fortaleza sagra-se campeão de um dos torneios realizados pela extinta Liga Metropolitana Cearense, dando início à sua trajetória de títulos, sendo o clube detentor de vários títulos estaduais, dois regionais e de dois vice-campeonatos brasileiros.

Com aproximadamente 80.000 habitantes, a Fortaleza dos anos 1920 era uma cidade em expansão, surgia no campo do Prado, a Associação Desportiva Cearense, homens e mulheres da sociedade cearense assistiam ao surgimento de uma nova potência no "foot-ball" local: um time com as cores inspiradas na bandeira da França, que venceria o também tricolor Guarany na final do Campeonato Cearense de 1920.

Nascia a denominação Tricolor de Aço, o aço por ser o elemento químico mais importante na liga metálica na época, mais tarde seria para diferenciar entre o Fortaleza Esporte Clube (o Tricolor de Aço) e o Ferroviário Atlético Clube (o Tricolor de Ferro).

Em 1921, vários clubes importaram muitos jogadores, três abandonaram o certame: América, Bangu, e o lanterna do ano anterior, Ceará; o Fortaleza aposta na prata da casa e vence novamente o Guarany e conquista o Bicampeonato.

A perda do tricampeonato em 1922 representaria o início da rivalidade entre Fortaleza x Ceará, no ano seguinte a terceira conquista, em 1924 conquista o bicampeonato com folga, oito vitórias em oito jogos, 30 gols marcados e 11 sofridos, no último jogo, goleada no Ceará por seis gols. A sede do clube é situada numa sala do Edifício Majestic Palace.

O campeonato equilibrado de 1926 é decidido após um jogo extra. Em 1927 o torneio é realizado no Stadium Sport Cearense, construído no local onde ficava o Campo do Prado no qual a população se referia a tal praça esportiva. Em 1928 veio o tricampeonato invicto com sete vitórias em sete jogos.

Em 1929 quando liderava o segundo turno e partia para o inédito tetracampeonato, abandona a disputa no dia 6 de agosto licenciando seu departamento de futebol, motivado por divergências com a mentora do futebol cearense sobre julgamento de protestos. Na época, alguns jogadores transferiram-se para o Orion ,que com a base do Tricolor, tornasse campeão no ano seguinte.

Em 1932, o clube retorna ao campeonato cearense, ficando em 3º lugar com um time de garotos e com sede no subúrbio. No ano seguinte, inicia a cobrança de ingressos para os jogos do campeonato e volta a ser campeão perdendo apenas uma partida. No ano de 1934, três clubes abandonaram o torneio após serem derrotados pelo Tricolor: Liceu (4 a 2), Gentilândia (6 a 2) e Ceará (5 a 0); na final, o time tricolor derrota o poderoso América e seu "ataque de 100 gols", sendo campeão invicto.

Em 1937, conquista mais um título invicto. No torneio seguinte, no jogo contra o Iracema marca um recorde que perdura: o atleta Alemão marca oito gols, dos quais seis de cabeça. Jornais da época afirmaram que o juiz ainda anulou três deles.

Em 1941, a cidade com 180.000 habitantes ganha um novo estádio, batizado como Presidente Vargas, carinhosamente chamado de PV, estádio no qual e com ajuda de sua torcida, o clube alcança em 30 anos o vice-campeonato brasileiro de 1960 e o de 1968, uma competição regional em 1970 e os estaduais de 1946, 1947, 1949, 1953, 1954, 1959, 1960, 1964, 1965, 1967 e 1969.

Em 1946, é realizada a primeira competição regional da região Nordeste. No dia 14 de julho, a estréia do FEC acontece no Estádio Juvenal Lamartine, frente ao América (PE), numa vitória por 5 a 3. Após a vitória, a manchete do Correio do Ceará dizia: "Verdadeiros ídolos da torcida de Natal os cracks do Fortaleza".

Apenas em 21 de maio de 1947, depois de alguns adiamentos, é realizada a final do torneio no mesmo estádio onde ocorreram todos os jogos da competição, o Juvenal Lamartine, com vitória do Tricolor por 3 a 1, frente ao América de Natal, com gols de Jombrega (duas vezes) e Piolho, descontando Nonato para a equipe potiguar.

A formação do "esquadrão atômico", expressão utilizada pela imprensa local para chamar o campeão foi: Juju; Stênio e Natal; Jorge, Arrupiado e Torres (Zé Sérgio); Carlinhos, Pipiu, França, Jombrega e Piolho.

O Fortaleza Esporte Clube conquista o título do Norte-Nordeste em 1970. Na primeira fase classifica em primeiro lugar do Grupo 1, com 10 pontos ganhos. Na Segunda Fase fica no Grupo 3B do Nordeste, conquista sete pontos, classifica pro quadrangular final na segunda colocação, com três vitórias, um empate e uma derrota, marcando sete gols e sofrendo quatro.

No dia 13 de dezembro começa o quadrangular final, empata em casa em 0x0 com o Sport, três dias após empata com o Fast Clube em Manaus ,no dia 17 de janeiro de 1971, 0x0 com a Tuna Luso em Belém. Começa os jogos da volta do quadrangular no dia 24 de janeiro vencendo a Tuna Luso, três dias depois goleia o Fast por 4x1 e no dia 31 de janeiro de 1971 mesmo perdendo pro Sport em Recife por 2x1, vence o Norte-Nordeste pelo critério de desempate, pois ambos terminaram com o mesmo número de pontos. Festa na chegada a cidade de Fortaleza com seus 857.000 habitantes ao novo campeão do Norte-Nordeste.

Em 1954 os clubes europeus propõem a criação de um campeonato continental disputado pelos campeões de cada país, propuseram a Confederação Sulamericana a criação do seu campeonato para que, ao final de cada competição, fosse organizado um desafio entre o campeão de cada continente, até então todos os países da América do Sul tinham o seu campeonato nacional, mas o Brasil ainda não.

Em dezembro de 1954, Castelo Branco reuniu o departamento técnico da CBD e decidiu pela instituição da Taça Brasil e o título de Campeão brasileiro de clubes ao detentor do troféu e com as participações dos campeões de cada estado, firmado que o Campeonato Brasileiro teria início em 1959, por causa que o calendário trienal do futebol já estava aprovado e não poderia sofrer alterações por causa da Copa do Mundo de 1958.[8]

O Fortaleza Esporte Clube disputa à primeira, de suas vinte participações da Série A do Campeonato Nacional, em 1960, sendo vice-campeão brasileiro em 1960 e em 1968..[8]

Em 1960 chega a final da competição, após eliminar o ABC, o Moto Clube o Bahia e o Santa Cruz, perde a final do Campeonato Brasileiro para o Palmeiras. O time base era: Pedrinho; Mesquita e Sanatiel; Toinho, Sapenha e Ninoso; Benedito, Walter Vieira, Moésio Gomes, Charuto e Bececê (artilheiro da comepetição).[8]

No ano de 1968 chega a mais uma final do Campeonato Brasileiro, após eliminar o Bahia e o Naútico, empata o primeiro jogo da final por 2x2 contra o Botafogo de Jairzinho, Paulo César Caju e [Roberto Lopes MirandaRoberto Miranda]] , tricampeões mundiais com a seleção brasileira em 1970, mas perde o jogo decisivo no Maracanã por 4x0 para o Botafogo

A última participação do Fortaleza na Série A, aconteceu em 2006, quando ficou na 18ª posição com 38 pontos sendo rebaixado para a Série B de 2007. O tricolor foi comandado por cinco treinadores diferentes: Toninho Cecílio, Márcio Bittencourt, Hélio dos Anjos, Roberval Davino e Daniel Frasson.

Em 2011 o clube disputa a Copa do Brasil pela décima sétima vez, sua melhor participação foi no ano de 2001 , quando eliminou Sampaio Corrêa, Internacional e Bahia, quando chegou até às quartas-de-final, sendo eliminado nesta fase pela Ponte Preta.

garrincha

Campeão 2000

Futebol Feminino 2009

Lula maior presidente da historia do pais com a camisa do Fortaleza





quinta-feira, 27 de novembro de 2014

FUTEBOL PARAENSE: DAS GLÓRIAS À INFÂMIA

De caçadores à presas fáceis, esse é o parâmetro da constante do futebol paraense, na última década. Todo o respeito construído no passado vem sendo destruído a cada ano como consequência de campanhas medíocres em competições nacionais. Os torcedores paraenses ainda procuram entender o verdadeiro motivo dessa tremenda decadência.


A virada do século XXI apresentava-se com os três principais times do estado, Paysandu, Clube do Remo e Tuna Luso, na segunda divisão nacional, juntamente com outros clubes conhecidos do país, como Ceará, Paraná, Avaí e Figueirense. Em 2001, o Paysandu conquistou o seu segundo título da Série B fazendo uma campanha impecável, botando novamente o futebol paraense na elite do futebol brasileiro. No ano seguinte, o Papão da Curuzú levantou a taça de campeão da Copa dos Campeões, passando por grandes clubes, como Palmeiras e Cruzeiro, se credenciando para disputar a Libertadores da América de 2003, principal competição do continente. Seria a primeira vez em que um clube do norte disputaria uma competição continental. Com altos investimentos, a Libertadores foi totalmente rentável para os cofres do clube, porém um escândalo envolvendo a SUDAM e o presidente do clube na época, Artur Tourinho, botou em cheque a autenticidade dos triunfos.

Iarley, autor do gol memorável, na partida
diante do Boca Júniors, em 2003
Na Libertadores, as expectativas estavam em cima de Robson “Robgol”, Vélber, Sandro Goiano, Iarley, dentre outros. O clube terminou a primeira fase na liderança do grupo e manteve sua invencibilidade, obtendo a vantagem de decidir em casa a vaga para as quartas de finais, jogando em casa a segunda partida. Na primeira partida das oitavas, o time paraense visitou o temido Boca Júniors, que jogando dentro de casa mantinha um amplo favoritismo, levando em consideração a dificuldade apresentada para os adversários no estádio La Bombonera. Até então, apenas dois clubes brasileiros haviam vencido ali, Santos e Cruzeiro. Iarley marcou o único gol daquela brilhante noite dos paraenses, dando uma vantagem ainda maior para o Papão, que precisaria apenas de um empate no jogo de volta para avançar de fase. Foi o ápice do futebol paraense, chegando o mais longe possível, um feito bastante reconhecido no mundo futebolístico. Infelizmente, na partida de volta, o bicolor estadual acabou perdendo por 4-2, vivendo uma noite de eliminação frustrada diante de um Mangueirão lotado, em pleno período de greve rodoviária. Encerrava-se ali a melhor temporada do Paysandu e do futebol paraense.

Na Série A, o clube fazia campanhas regulares, mas após a saída de Tourinho da presidência, as dívidas dificultaram as negociações e não mantiveram a mesma qualidade de investimento. Prova disso, o rebaixamento em 2005 para a Série B e em 2006 para a Série C, aonde ainda se encontra, mesmo após breve retorno à Série B em 2013. Nesse mesmo período de descenso, em 2005, o Clube do Remo conseguira voltar à segunda divisão, carregando nas costas o seu primeiro título nacional, a Série C no ano de seu centenário, tendo a melhor média de público entre as três divisões do Brasil.

Clube do Remo, campeão da Série C de 2005
O futebol paraense se manteve na Série B, com o Clube do Remo, por mais dois anos e posteriormente sucumbiu para a Série C, a última divisão. Em 2008, a CBF anunciou a criação da quarta divisão, que teria sua primeira edição realizada em 2009. Três times paraenses disputaram a terceira divisão daquele ano, Paysandu, Remo e Águia, time do interior, que chegou ao vice-campeonato estadual, garantindo sua vaga no brasileiro. Curiosamente, apenas o time de Marabá disputou a última fase da competição, ficando à um gol do acesso. Enquanto isso, o Clube do Remo caia para a Série D e o Paysandu ficara na Série C.

Com sucessivos fracassos, os paraenses começaram a perder sua identidade e mergulharam em crises financeiras, dirigentes mal intencionados, sugando os poucos lucros obtidos. A última conquista nacional do Pará veio através do São Raimundo de Santarém, em 2009, justamente na primeira edição da Série D. O time santareno oscilou rapidamente, e no ano seguinte retornou à última divisão, onde nem lá se encontra mais. O Paysandu ainda retornou para a Série B, em 2013, como dito antes, mas foi rebaixado precocemente, frustrando novamente o torcedor bicolor e a imprensa que imaginavam o forte retorno do futebol paraense no cenário nacional.

Independente Tucuruí, primeiro clube do interior
que conquistou o Campeonato Paraense, o feito foi em 2011
Dois times do interior conquistaram pela primeira vez o campeonato paraense em dois anos consecutivos. Independente em 2011 e Cametá em 2012. A estática dos dirigentes causou o declínio das safras de contratações, igualando os clubes da capital com os do interior.  De fato, a cada ano, um time do interior sempre se destaca e bate de frente com os maiores já não tão maiores assim. O estadual se tornou mais equilibrado? Existem controvérsias, críticas e opiniões diferentes sobre a questão. Muitos apoiam a crescente dos emergentes, enquanto outros defendem a hegemonia da dupla Re-Pa, mesmo encontrando-se adormecidos no cenário brasileiro. Por que não investir na base? A falta de um centro de treinamento é fundamental para a solução desse problema. Não existe um acompanhamento adequado com os jovens prodígios. Ou são exportados ainda jovens ou não ganham chances no time profissional, depois somos notificados de que aquele jogador despontou. O caso mais recente é de Paulo Henrique Ganso, atual meio-campo do São Paulo.

Paraense Paulo Henrique Ganso, cotado para
vestir a camisa da Seleção Brasileira na Copa de 2018

Por que não apostar nos jogadores oriundos do estado? Das poucas conquistas, os clubes eram compostos por peças paraenses, sem a necessidade de importar atletas de outros estados. O futebol do Pará precisa passar por uma reformulação em sua gerência, começando pela sua federação responsável. Nos planos também estariam o afastamento dos gananciosos de poder nos clubes, para enfim retornar às primeiras divisões nacionais. Deve haver uma cabeça pensante dentro das instituições, onde contratação é ação de vida ou morte, contratar apenas jogadores de valor e não para compor elenco. Tragicamente, os clubes não detém um bom status no mercado de transferências.

Quem sofre é o torcedor, amargando campanhas vergonhosas e vendo o clube nas últimas divisões. Acostumados com momentos de glórias, a esperança nunca morre. Apesar de tudo isso, ele não abandona o seu clube, lota os estádios e é quem realmente ainda sustenta o futebol paraense. No primeiro semestre, o clássico Re-Pa obtém uma média de público maior de que diversos clássicos. O torcedor paraense é apaixonado por futebol e está cansado de sofrer. Até quando isso continuará acontecendo? A expectativa é de que um dia tudo volte ao normal. Em meio à tudo isso, o Paysandu ascendeu à Série B, após acesso através do vice-campeonato da Série C de 2014, o Águia se mantém na Série C, mas fora da primeira divisão do futebol paraense. Clube do Remo brigará mais um vez por uma vaga na Série D, e a Tuna Luso, detentora de dois títulos brasileiros (segunda e terceira divisão), situa-se na segunda divisão do futebol paraense.



Escrito por: Victor Barra
Twitter: @VictorBarra96
Email para contatos: victinhobarra@hotmail.com